Nuno Represas: "As pessoas perguntam muito da Magui Corceiro!"

O jovem ator que brilha atualmente em palco na produção de sucesso O Clube dos Poetas Mortos, ao lado de Diogo Infante, vive um momento de grande satisfação profissional e pessoal. Nuno Represas, que integrou a terceira temporada da nova geração de Morangos com Açúcar, divide sua vida entre a representação e a vida familiar.
Uma Educação Apoiada
Crescer na sombra de duas personalidades tão influentes em Portugal não foi fácil, mas Nuno ressalta que sempre recebeu apoio incondicional dos pais. "Deixaram-me tomar as minhas decisões e seguir os caminhos que eu quisesse," conta. Inicialmente, havia planeado estudar História, com interesse especial em Roma Antiga e latim, mas o teatro acabou por vencer.
Quando começou a transição para o teatro, participando em produções escolares e trabalhos de dobragem, seus pais mantiveram-se abertos e carinhosos com suas escolhas. "Nunca tive pressão, mas quando tomei essas decisões, foram muito disponíveis," relembra.
Estudos no Estrangeiro
Nuno não quis apenas aproveitar o acesso que tinha ao meio cultural português. Fez um programa de intercâmbio nos Estados Unidos para completar o ensino secundário, depois um ano em Cambridge e dois anos em Nova Iorque estudando representação. "Precisava de expandir os meus horizontes e perceber como era o mundo fora de Portugal," explica.
Seus pais continuaram a apoiá-lo plenamente nesta jornada. Quando regressou a Portugal durante a pandemia de Covid-19, juntou-se a um amigo português que também tinha regressado para criar a companhia Teatro Soco, produzindo adaptações acessíveis de peças de Shakespeare.
O Peso do Apelido
Quando começou a ganhar relevância profissional, sentiu mais o peso de ser filho de Luís Represas e Margarida Pinto Correia. "Senti isso principalmente quando comecei a entrar mais na área," admite. Porém, após conversas com os pais, essa pressão diminuiu significativamente. "Tenho gratidão pelo que fizeram e reconheço o impacto enorme que tiveram na cultura portuguesa, mas não sinto que carregue uma responsabilidade."
Nunca se apresentou explicitamente como filho deles nos castings. "Somos a única família com esse apelido em Portugal, então é inevitável. Assim que digo Represas, há sempre aquela olhadela: será que é? Será que não é?" Seu primeiro trabalho foi uma dobragem para o filme de animação Astroboy, quando ainda era muito jovem, recebendo cerca de 300 euros – "estava louco de felicidade," brinca.
Família Unida
Seus pais divorciaram-se, mas mantêm uma excelente relação. "Foi uma das grandes bênçãos que tivemos. Separaram-se em ótimas condições, sempre com o objetivo de proporcionar o melhor para mim e meus irmãos," conta. Tem três irmãos – José, João e Carolina – e todos mantêm relação muito próxima. "Somos quatro irmãos que sempre nos demos muito bem, temos muito carinho uns aos outros."
Seus pais são descritos como pessoas "muito disponíveis e carinhosas, mas que puxavam as rédeas." Nuno não foi uma criança problemática, apesar de passar pela adolescência típica. "Nunca fui uma pessoa problemática, nunca tive cenas de fugir de casa," garante.
Os Morangos e Novos Horizontes
Quando regressou de Nova Iorque, soube que os novos Morangos com Açúcar estavam em produção. Inicialmente, não recebeu notícias, pensando que não tinha ficado. Mas durante férias em Odeceixe com a família, seu agente Pedro Curto ligou com a boa nova. "Estávamos na praia quando recebi as notícias. Fizemos uma grande festa nessa noite," recorda emocionado.
Na terceira temporada, participou em dez episódios como namorado de Beatriz Frazão, interpretando um personagem tóxico e manipulador – filho do dono do resort onde se passa a ação. "Era o vilão secundário, mas uma personagem que deu muito gozo de fazer," explica. O desafio foi explorar a manipulação de forma realista, mostrando como pessoas tóxicas conseguem fazer seus parceiros acreditarem que estão sendo ajudadas.
Colegas de Elenco
Trabalhou com vários talentos da nova geração, incluindo Margarida Corceiro, Rui Pedro Silva, Vicente Gil e Tomás Taborda. Sobre Margarida, que hoje é uma sex symbol namorando um piloto de Fórmula 1: "Isso é das perguntas que meus amigos logo me fizeram. A Margarida sempre foi um amor de pessoa, muito educada, muito delicada. É incrível trabalhar com ela."
Depois dos Morangos, participou em Lua Vermelha, a série de vampiros da SIC, onde interpretava um rapaz da escola raptado por um vampiro. "Sempre gostei muito de conteúdo de fantasia – Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Twilight," confessa. "Foi muito fixe fazer parte da série que em Portugal abordou os vampiros."
O Clube dos Poetas Mortos
O grande projeto atual de Nuno é O Clube dos Poetas Mortos, que já tinha quase 30 mil bilhetes vendidos antes de estrear. Fez o casting como qualquer outro ator, nervoso no palco da Trindade, com Diogo Infante, Hélder e Angela Pinto na audiência observando. Enquanto filmava outro projeto, recebeu a confirmação de que tinha ficado. "Ligaram-me durante as gravações para dizer que tinha ficado. Foi logo uma festa no set," recorda.
O primeiro encontro com todo o elenco foi durante a leitura de mesa. "Vi o filme, mas evitei ver outra vez para não tentar fazer algo que seria inalcançável," explica sua estratégia. Conhecia Diogo Infante através de sua mãe, mas mantém profissionalismo total no trabalho. "Somos completamente profissionais. O Diogo tem sido incrível, muito preciosista, dá notas diárias, vai aos camarins com informações de representação e técnicas."
A peça funciona ininterruptamente até dezembro, com uma pausa de um mês em agosto, e segue para o Porto em janeiro de 2027. O elenco inclui atores experientes como Diogo Mesquita e Virgílio Castelo, cuja presença enriquece o trabalho. "Pessoas com muita experiência de teatro só adicionam coisas positivas, há sempre partilha de ideias e boas notas a tirar," valoriza.
Vida Pessoal
Nuno está numa relação estável há quatro anos. "Sempre estive em relações mais longas, gosto de me conectar com as pessoas," explica. Sua namorada é compreensiva quanto aos beijos técnicos e flirts cênicos necessários no trabalho. "Tivemos claramente essa conversa no princípio. Ela percebe perfeitamente que isto é trabalho e que é tudo puramente profissional."
Atualmente vive em Lisboa com sua mãe, irmão e padrasto. Sobre o futuro, ainda não pensa em casamento, mas deseja ter filhos eventualmente. "Infelizmente, a vida em Portugal está difícil economicamente, mas quando o momento chegar e Portugal estiver num nível económico adequado, é algo que realmente quero."
Influência Familiar
Sua mãe, Margarida Pinto Correia, continua ativa na rádio e podcast. Nuno brinca sobre a mudança automática de voz que ela faz ao dar entrevistas. "É uma grande voz," reconhece.
Herdou de sua mãe o gosto por brincos diferentes. "Adoro ter um brinco mais curto ou mais longo, ter brincos diferentes. Só depois de furar as orelhas é que percebi que tinha apanhado isto dela," revela. Vê entrevistas antigas da mãe e reconhece os brincos que ela usava e que ele próprio usa agora.
Sua música preferida é A Balada das Sete Saias, do Trovante – não exatamente do seu pai, mas que o fascina.
Ambições Futuras
Para a carreira, Nuno quer continuar trabalhando em Portugal, mas tem ambições internacionais. "Não vou negar que tenho as minhas vistas no estrangeiro. Gostava muito de fazer projetos internacionais," confessa. Quer ser "um ator do mundo," nunca deixando Portugal mas começando a fazer projetos lá fora.
Considera todos os formatos de trabalho legítimos – novelas, séries, teatro. Os Morangos foram importantes porque funcionaram em formato série, dando-lhe responsabilidade diferente. Também fez novelas como A Vitória e A Protegida, aprendendo a respeitar o ritmo intenso desse formato. "É um trabalho difícil, muito puxado para os atores, porque se está lá o dia inteiro a gravar 40 cenas e tem que estar pronto a trocar as emoções."
Impacto do Seu Trabalho
Recebeu mensagens de pessoas que se identificaram com seu personagem tóxico nos Morangos. "Pessoas que mandaram mensagem dizendo que estavam numa relação tóxica e não se tinham percebido, e ver minha personagem ajudou-as a compreender a situação em que estavam," partilha com satisfação.
Quanto ao assédio do público nas redes sociais, tem a sorte de ser amigo de Rui Pedro Silva, que acaba por receber mais atenção das fãs. "Mas já fui reconhecido, já tirei algumas fotos e estou sempre disponível para isso," conclui com naturalidade.
O momento mais emocionante em O Clube dos Poetas Mortos é quando sobem para as secretárias e dizem "oh captain, my captain." "Tem toda aquela magia e ainda não perdeu a emoção. Temos sempre os olhos um pouco aguados," confessa. Na noite de estreia, todos saíram em lágrimas, percebendo o trabalho de equipa que tinham construído. Todos da família – pais, irmãos e namorada – já viram a peça e gostaram muito.
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