quarta-feira, 15 de julho de 2026

Tensão entre jornalistas: Daniela Santiago critica CMTV pela cobertura dos incêndios e Tânia Laranjo responde

4 de julho de 2026
Tensão entre jornalistas: Daniela Santiago critica CMTV pela cobertura dos incêndios e Tânia Laranjo responde
Tensão entre jornalistas: Daniela Santiago critica CMTV pela cobertura dos incêndios e Tânia Laranjo responde

Dois nomes bem conhecidos do jornalismo português protagonizaram um confronto aceso nas redes sociais em torno da cobertura mediática dos incêndios que afetam o país. Daniela Santiago, da RTP, não ficou indiferente à forma como a CMTV abordou a tragédia e decidiu partilhar a sua frustração, visando especialmente a atuação de uma jovem repórter no terreno – filha de Tânia Laranjo.

A profissional da estação pública desabafou sobre a repetição anual de cenários de destruição e a falta de mudanças estruturais no país. "Todos os anos vemos o nosso país, a nossa floresta, os nossos animais, as nossas gentes morrer e perder tudo. Nada muda. Não mudam os nossos hábitos, não muda a nossa visão perante o interior, a floresta, não muda verdadeiramente a nossa consciência perante as mais que evidentes alterações climáticas e não muda este espetáculo mediático que me envergonha", escreveu Daniela Santiago.

Mas foi um direto específico que a deixou particularmente indignada. A jornalista descreveu ter visto uma transmissão ao vivo de cerca de 10 minutos onde "não deu qualquer informação. Apenas dizia que nunca viu nada assim, visivelmente assustada, no meio do fogo". Para Daniela, isto está longe do que deve ser jornalismo de qualidade.

Na perspetiva da profissional da RTP, a comunicação social deveria adotar uma abordagem diferente, focada na prevenção e educação. "Há anos que escrevo que não devemos explorar estes cenários. Há que fazer trabalho jornalístico antes… No sentido de prevenir, fazer pedagogia. Não estar em cima do fogo, a transmitir horas de espetáculo, a alimentar mentes doentes e a distrair no terreno quem deve trabalhar, sem estar preocupado com pessoas que estão com microfones e câmaras nas mãos", defendeu.

A resposta de Tânia Laranjo não demorou. A jornalista da CMTV reconheceu a indignação, mas direcionou-a para os verdadeiros problemas: os incêndios em si e as populações que sofrem com eles. "Eu também estou indignada. Com os incêndios. Com as populações que, muitas vezes, ficam sozinhas a defender as próprias casas. Com quem perde tudo de um dia para o outro", reforçou.

Tânia aproveitou para questionar a postura dos jornalistas mais experientes nas redações. "Numa cobertura desta dimensão, onde andam os grandes nomes, os seniores, os mais experientes? Se são os que mais sabem, talvez também devessem ser os primeiros a dar a cara no terreno", provocou, sugerindo que as críticas ganham mais credibilidade quando vêm de quem arriscou pessoalmente no local dos acontecimentos. "Porque as lições de jornalismo têm sempre mais força quando são dadas com as botas cheias de cinza do que a partir da redação", concluiu.

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