quarta-feira, 15 de julho de 2026

Jorge Jesus apresenta ambição sem limites e tranquiliza sobre futuro de Cristiano Ronaldo

10 de julho de 2026
Jorge Jesus apresenta ambição sem limites e tranquiliza sobre futuro de Cristiano Ronaldo
Jorge Jesus apresenta ambição sem limites e tranquiliza sobre futuro de Cristiano Ronaldo

A Cidade do Futebol, em Oeiras, foi o cenário escolhido para um momento repleto de significado: a apresentação oficial de Jorge Jesus como novo selecionador de Portugal, num contrato que o vincula até 2030. A data não foi escolhida ao acaso, coincidindo com a celebração de uma década desde o triunfo do Euro 2016.

Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, abriu a conferência de imprensa deixando claro o tom que marca este novo ciclo. "Iniciamos uma era de ambição equivalente ao nosso talento", afirmou o dirigente, descrevendo a chegada do técnico como o início de uma "cultura de vitória bem definida". Para os próximos quatro anos, a agenda é desafiadora: a Liga das Nações, o Europeu de 2028 e o Mundial de 2030, que Portugal co-organizará.

Proença não se coibiu em expressar as aspirações máximas: "Não teremos medo de assumir que queremos ser a melhor seleção do mundo".

Jorge Jesus, aos 71 anos, respondeu com convicção e entusiasmo. "Viemos para ganhar, viemos para vencer", declarou o treinador, desvalorizando a questão da idade com uma reflexão pessoal: "No número está lá 71 anos, mas naquilo que eu sou está lá 50". O técnico salientou a confiança que traz para o cargo: "Sou um treinador de 12 milhões, sou um treinador do povo português", referindo-se à população nacional.

Confrontado com a transição do trabalho quotidiano num clube para o ritmo de uma seleção, Jesus rejeitou a ideia de que existam diferenças metodológicas significativas. "Há tendência de dizer que um selecionador é diferente de um treinador de equipa, mas não é verdade", argumentou, sublinhando que a principal distinção reside apenas na quantidade de dias de trabalho disponíveis.

O novo selecionador destacou também a importância de reencontrar Lourenço Coelho, diretor executivo, com quem colaborou durante seis anos no Benfica. "Vou trabalhar com um homem que conheço bem e que também me conhece", garantiu.

A questão que todos esperavam foi inevitável: o futuro de Cristiano Ronaldo. Jesus, que orientou o avançado no Al-Nassr, foi claro e tranquilizador. "O Cris nunca vai ser um problema para a seleção, nem para mim", assegurou, explicando que conversará individualmente com todos os jogadores, sem privilégios. "O Cris é um símbolo do futebol português", reconheceu.

Para exemplificar a clareza da relação, Jesus recordou a gestão que fez do camisola 7 na Arábia Saudita: na época anterior, o Al-Nassr disputou 50 jogos e Ronaldo participou em 31, enquanto o treinador realizou 16 substituições no campeonato. "Nunca nos confundimos o que é ele concorrente e que sou eu treinador", salientou, deixando claro que a continuidade dependerá do rendimento dentro das condições que considere ideais para a seleção.

Quanto às mudanças na convocatória para o jogo de estreia contra o País de Gales, marcado para 24 de setembro, Jesus descartou uma revolução imediata. O técnico destacou que apenas seis jogadores ultrapassam os 30 anos, sendo dois deles guarda-redes, e que o elenco tem uma média de idades de 28 anos. "Não é uma equipa velha", sublinhou. Acrescentou ainda que metade ou mais de metade dos 24 a 26 jogadores que integravam a seleção já trabalharam com ele, garantindo conhecimento aprofundado do grupo.

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