quarta-feira, 15 de julho de 2026

Éder revela como Cristiano Ronaldo o colocou perante o microfone no Euro 2016: "Não estava verdadeiramente preparado"

4 de julho de 2026
Éder revela como Cristiano Ronaldo o colocou perante o microfone no Euro 2016: "Não estava verdadeiramente preparado"
Éder revela como Cristiano Ronaldo o colocou perante o microfone no Euro 2016: "Não estava verdadeiramente preparado"

O herói que marcou o golo decisivo do Euro 2016 abriu o coração sobre a transformação radical que a sua vida sofreu após aquele momento histórico. Numa conversa com o programa «Alta Definição» da SIC, Éder voltou dez anos atrás para revisitar o contraste impressionante entre a euforia vivida em Portugal e o ambiente gelado que o aguardava quando voltou à França, onde jogava pelo Lille.

A Jornada Inesquecível de Regresso

O ex-avançado descreveu com pormenor aquele voo de regresso de França até Lisboa como algo que pareceu durar uma eternidade. "Já havia indícios de que multidões se estavam a reunir e que seríamos recebidos de forma extraordinária", partilhou. O momento em que os caças da força aérea escoltaram o avião deixou-o impressionado antes mesmo de tocar solo. Quando finalmente aterraram, o caos organizado de cachecóis, camisolas e pessoas a celebrarem nas ruas o deixou sem palavras. "Acho que dificilmente vou viver algo assim", confessou.

O Momento Viral no Palco

Durante as celebrações oficiais em Lisboa, Éder tornou-se viral ao seu modo, mas revelou agora como tudo se desenrolou nos bastidores. Enquanto Cristiano Ronaldo e Fernando Santos discursavam, o ex-jogador tentava manter-se discreto. "Eu tentava-me esconder lá atrás, não queria falar, não sabia o que havia de dizer", explicou. Então Ronaldo aproximou-se inesperadamente e entregou-lhe o microfone. "Eu dei umas palavrinhas e depois senti que podia soltar aquilo", recordou, referindo-se àquele grito que se tornou memorável. Ainda hoje, as pessoas continuam a fazer-lhe referência àquele momento com humor.

O Peso da Fama em Solo Francês

Se em Portugal se transformou num herói nacional instantâneo, o regresso ao trabalho em França apresentou-se como uma montanha muito mais difícil de escalar. Éder havia chegado ao Lille seis meses antes por empréstimo, com o objetivo de ganhar minutos de jogo para se preparar para o Europeu. A receção inicial foi calorosa, mas a realidade nas ruas mudou rapidamente. "Por estar em França, nas ruas as pessoas não eram assim tão simpáticas. Perguntavam: 'Porquê que marcaste à França?'. É algo difícil de explicar. Tu defendes o teu país", desabafou.

Dentro dos estádios, a hostilidade era ainda mais palpável. "Estádios cheios a assobiarem, a insultarem", descreveu, incluindo o seu próprio estádio. O ambiente pesado criava uma atmosfera completamente diferente daquela que viveu em Lisboa.

Lidar com a Fama Repentina

A transformação de um dia para o outro deixou o ex-atleta desorientado. "Não estava de facto preparado para aquilo, porque lidar com a fama daquela forma não foi fácil", admitiu. As simples saídas à rua tornaram-se desafios complexos. Restaurantes deixaram de ser refúgios de descanso, pois era constantemente reconhecido, independentemente de como se apresentasse. "Estivesse eu de que forma estivesse, com capuz… não sei se reconheciam o meu andar. Era complicado", concluiu.

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