quarta-feira, 15 de julho de 2026

De criança institucionalizada a pai dedicado: a jornada transformadora de Éder

4 de julho de 2026
De criança institucionalizada a pai dedicado: a jornada transformadora de Éder
De criança institucionalizada a pai dedicado: a jornada transformadora de Éder

Numa conversa com Daniel Oliveira no programa de sábados à tarde da SIC, Éder abriu o coração sobre como os anos de infância marcaram profundamente a sua visão sobre paternidade.

O antigo avançado português viu a sua vida virar de pernas para o ar dois anos após a conquista em Paris, quando nasceu o seu primeiro filho. Esse momento representou, na verdade, um renascimento completo para o ex-internacional.

A dedicação durante tempos difíceis

A transição para a paternidade foi vivida com total envolvimento, particularmente quando Éder estava a jogar na Rússia. Os constrangimentos impostos pela pandemia da COVID-19 tornaram ainda mais complexa a logística familiar. "Tinha muitas vezes que sair do centro de estágio a escondidas à noite para vir a casa e ficar com os meus, para ela poder dormir. Tinha um portão que abria, então saía à noite no meu quarto e depois chegava de manhã bem cedo", partilhou o ex-futebolista.

O antigo avançado sublinhou quanto foi essencial mostrar compreensão pelo cansaço que a mulher enfrentava, especialmente durante as noites em branco causadas pelas cólicas do bebé. "Fiz noites, especialmente a seguir aos jogos ficava eu com os meninos. O rendimento não foi o melhor, confesso, mas aquela ajuda foi mesmo muito importante", reconheceu.

Cicatrizes que se transformam em lições

A sua própria infância, passada num internato em Braga desde os cinco anos, continua a influenciar diretamente a forma como exerce a paternidade. Éder faz questão de estar presente em cada momento e de incutir aos filhos valores de humildade, ajudando-os a compreender a realidade privilegiada em que vivem atualmente.

"Vou contando também algumas coisas sobre o que eu tive, o que não tive, o que eles podem ter, o que eles têm agora, que na altura não era possível para mim. Os meus pais não tiveram oportunidade, penso eu. Mas eu tenho a noção que tenho que ser presente, tenho que estar lá", explicou.

Entre a disciplina e a diversão

O ex-jogador procura encontrar um equilíbrio entre impor limites e permitir liberdade, incentivando brincadeiras educativas como puzzles, xadrez e até futebol na sala de estar. Quando questionado sobre aquilo que lhe faltou na infância, Éder revelou uma perspetiva tocante: vê nos seus filhos a chance de permitir que florescam traços de alegria que em si demoraram muito mais tempo a desabrochar.

"O mais novo tem algo que eu achava que podia ter se crescesse de outra forma. Tem uma semente que está a florescer de algo que eu se calhar queria ter quando era mais novo e ele tem. Portanto, ficou ali aquela semente que em mim não cresceu tanto à pressa, mas nele cresce", concluiu.

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