Ângela Ferreira confronta deputada do PSD sobre falta de empatia: "Que vergonha!"

Ângela Ferreira, defensora conhecida da Procriação Medicamente Assistida post-mortem, não deixou passar as palavras da deputada do PSD Sandra Queiroz Pereira sobre uma das medidas mais polémicas da nova Prestação Social Única (PSU). A cabeleireira desabafou nas redes sociais com críticas contundentes, questionando a empatia da parlamentar.
O ponto de discórdia surgiu quando Sandra Queiroz Pereira interviu no parlamento a respeito da possibilidade de exigir trabalho social a pessoas com doenças graves, como cancro ou deficiência. A deputada falou a partir da sua experiência pessoal durante o debate.
"Em primeiro lugar, o PSD não recebe lições de humanidade de ninguém. Se há partido humanista, que se centra na pessoa, é exactamente o PSD. Senhor Presidente, vou dar aqui o meu exemplo pessoal. Fui diagnosticada com cancro recentemente, estou ainda em tratamento, numa fase final. Tenho 60% de incapacidade. Nunca deixei de trabalhar. Como eu, há mais pessoas na minha bancada nesta situação, que nunca deixaram de trabalhar, estando sujeitas até a tratamentos mais difíceis do que aqueles que eu tive. Qualquer pessoa que tenha um cancro, nomeadamente da mama, tem um benefício que o Estado dá, com a atribuição de um grau de incapacidade de 60%, mas isso não dita, nem deve ditar, que as pessoas não possam trabalhar", argumentou Sandra Queiroz Pereira perante a assembleia.
A reação de Ângela Ferreira foi imediata e sem filtros. A ativista apontou a diferença entre trabalhar num escritório e outras profissões: "Senhora deputada, acredito que trabalhar sentada numa secretária não seja impeditivo para si, apesar da doença! Ainda bem!". Mas foi além, trazendo à baila um episódio que, na sua perspetiva, demonstra falta de comprometimento da deputada.
"Alguém que, na altura, supostamente saudável, tinha 60 dias para fazer um relatório sobre a audição para a alteração à lei da PMA post-mortem e demorou 436!", recordou Ferreira, sublinhando o que considera uma falha grave.
A crítica intensificou-se com um apelo à humanidade: "Tenho pena que a senhora deputada, apesar da doença, não esteja mais humana, mais empática e infelizmente continue a não entender nada! A vida ainda não lhe ensinou nada! Gostava de ver a senhora deputada, doente oncológica em tratamentos, a trabalhar, por exemplo, nas limpezas, como tanta gente no nosso país!".
Ferreira concluiu o seu desabafo com uma acusação de desconexão política: "Continua a ser demasiado fácil falar em cima do palanque sem perceber minimamente a real situação deste país! Que vergonha! Que vergonha e indignação! Não pode ser possível!"
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