segunda-feira, 20 de julho de 2026

Álvaro Covões dispara contra decisores políticos: "Portugal está na cauda europeia no consumo de cultura"

20 de julho de 2026
Álvaro Covões dispara contra decisores políticos: "Portugal está na cauda europeia no consumo de cultura"
Álvaro Covões dispara contra decisores políticos: "Portugal está na cauda europeia no consumo de cultura"

Álvaro Covões não deixou escapar críticas contundentes ao sistema político português durante uma conversa no podcast 'Geração 60', numa edição especial gravada ao vivo no recinto do festival NOS Alive. O empresário e promotor cultural, com 63 anos, não poupou palavras ao analisar o estado do setor criativo nacional.

Em diálogo com Conceição Lino, o responsável pela Everything Is New alertou para o impasse em que o panorama cultural português se encontra preso. Segundo ele, as estratégias adotadas há décadas não geraram os resultados esperados. "Quando não conseguimos obter resultados positivos, é preciso ter a coragem de mudar de rumo", argumentou.

O promotor do NOS Alive sublinhou que Portugal ocupa uma posição desfavorável no mapa cultural europeu. "Estamos a bater no fundo. Somos a cauda da Europa quando falamos em hábitos de consumo cultural", afirmou, insistindo na necessidade urgente de elevar estes números para construir uma sociedade mais próspera e menos marcada pela pobreza.

Segundo Covões, a relutância em abraçar mudanças está profundamente enraizada na cultura portuguesa e reflete-se na economia. O país figura entre os mais pobres do continente, um cenário que o empresário atribui, em parte, ao medo de correr riscos. "Os nossos políticos estão muito expostos ao escrutínio público e receiam o fracasso. Isso paralisa a capacidade de decisão", explicou.

Para o criador do festival, o acesso limitado à cultura compromete a formação de cidadãos pensadores e críticos. "Sem hábitos culturais robustos, não se consegue desenvolver espírito crítico nas pessoas", reforçou. E destacou um desafio económico real: o setor depende da capacidade financeira dos portugueses. "Vivemos do que sobra. Precisamos de uma sociedade com maior poder de compra para que haja mais dinheiro disponível e, consequentemente, mais procura por ofertas culturais", detalhou.

Apesar das críticas ao contexto nacional, Covões rejeitou a ideia de que os profissionais portugueses careçam de talento ou competência. Pelo contrário, considera que existe uma contradição notória: "Temos profissionais em Portugal com muito mais valor do que noutros países em diversas áreas, não apenas na cultura. Quando trabalho com colegas estrangeiros, fico impressionado com o facto de países ricos terem dirigentes e trabalhadores com menos capacidade do que os nossos", concluiu.

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